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Que tal ler o Escrivaninha Diário?

E lá vamos nós!
6 de fevereiro de 2026 por
Que tal ler o Escrivaninha Diário?
Luciano Rowlands

No apartamento ao lado está acontecendo uma reforma. Ontem e hoje estão aplicando algo no piso dos cômodos usando um aparelho muito barulhento que fica ligado por muito tempo. Ontem foi a tarde inteira. Hoje está sendo pela manhã. Não faço ideia de até quando isso vai.

No entanto, decidi acessar minha capacidade de lidar com isso de modo a produzir o que quero produzir de qualquer maneira. Isso só funciona para mim se eu aceito a presença do barulho, ao invés de negá-lo. É como uma performance ao vivo, principalmente se for em um espaço público, em que os ruídos fazem parte do cenário natural: há que jogar com eles.

Claro que eu tenho outro método, o de “abstrair” o som, fingindo que ele não está lá. Essa solução, porém, não é muito boa, pois ela gera uma tensão constante, um estado que não passa quando o som pára, nas pausas que acontecem de vez em quando. Sim, porque o trabalhador lá, para sorte dele mesmo, não fica nisso totalmente sem parar. E nessas pausas, se eu jogo com o ruído, eu pauso também, eu descanso junto. Mas se eu abstraio, entro em um estado esquisito e tenso, um estado forçado para “manter os ouvidos fechados”, ignorando-os, e eu não posso sair desse estado durante durante as pausas. Isso porque sei que a pausa não será para sempre, e é difícil e cansativo entrar e sair repetidamente dessa “abstração”. Isso faz com que, frequentemente, eu nem mesmo perceba quando o som diminuiu ou parou. Resultado: fico tenso o tempo todo.

Por outro lado, jogando com o som, desde que eu realmente consiga jogar, nem chego a ficar tenso. É um estado mais alegre, meio infantil, como as crianças que conseguem fazer coisas mesmo em meio à maior balbúrdia. Ainda não é muita coisa, mas eu pude, por exemplo, escrever isso aqui! Embora pareça uma piada…

Sejam bem-vindes ao “Escrivaninha Diário”. E esse é o primeiro mini artigo, que se tivesse um nome poderia ser algo como “Lançamento Inesperado Choca Seu Próprio Autor”, ou “Nova Opção De Leitura: Alguém Precisa Disso?”, ou ainda “Como Lidar Com O Ruído Da Reforma Do Vizinho”. Não pensei em outros nomes, porque eu queria logo dizer mais duas coisas:

1- a realidade da ficção está no fato de que alguém a criou, e isso não é pouco.
2- a ficção não é feita de ficção.

O “Escrivaninha Diário” está aqui para ser um diário real, ainda que também seja sobre ficções. Ele também é uma visão real, embora poética, de realidades outras, como assuntos técnicos, perrengues tecnológicos, costuras filosóficas, mas sem ocupar o lugar de um artigo ou livro de filosofia, ou de um tutorial ou análise crítica de qualquer natureza.

Isto posto, falei três coisas ao invés de duas, mas tudo bem. Lá vai a quarta, e fim:

4- Eu confesso: não consigo parar de brincar e nem de levar a sério, e por isso virei escritor.

Até logo mais!

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Se você curte ler, fica aqui meu convite para você me acompanhar. Ficarei muito honrado se você o fizer. Muito obrigado! As interações também são ótimas, se você curte “curtir”, comentar, compartilhar! Agradeço imensamente!

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